15 ago 2017

Depressão na adolescência não é frescura, é coisa séria

Psicologia Infantil • postado em 15/08/17

Muitas pessoas não conseguem perceber, compreender e aceitar quando um adolescente está com Transtorno Depressivo, acreditam que é uma doença que só os adultos estão sujeitos. A incompreensão é tão grande a ponto de exclamarem que isso é “frescura”, “falta do que fazer” ou “faltou umas palmadas quando criança”. Uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a depressão pode estar presente em cerca de 13% dos pré-adolescentes e adolescentes entre 10 a 19 anos. Devido a adolescência ser uma etapa da vida repleta de mudanças comportamentais o diagnóstico do Transtorno Depressivo nem sempre é fácil, o que acaba gerando em muitos momentos prejuízo nas diversas áreas da vida do adolescente.

A adolescência é uma fase de transição biológica, social e psicológica.  Momento de repletas mudanças, descobertas e conflitos. Marcado pelas esperadas, porém temidas mudanças no corpo, e o surgimento de novas sensações e emoções até então não experimentados. Ocorre também uma mudança na maneira de perceber e entender os pais, que deixam de ser os “super-heróis” e passam para o papel de pais reais, que possuem qualidades, mas que também falham. A maneira como se percebem também estará em mudança e consequentemente em construção. Nesse momento do desenvolvimento acontecem alterações comportamentais esperadas para a idade e com isso surgem muitos conflitos, tanto em casa como na escola.

Alguns comportamentos que estão presentes no cotidiano podem servir de alerta para uma possível depressão, e os pais devem ficar atentos a esses sinais.

Na escola é comum queda no rendimento, surgimento de problemas de relacionamento com professores/autoridades e colegas e/ou isolamento repentino. Dificuldades de concentração e memória também estão presentes.

Nas atividades de lazer ou extracurriculares pode ocorrer perda de interesse e desejo de interromper com a atividade que era prazerosa até tempos atrás, sem surgir interesse por outra. A disposição de estar e sair com amigos também diminui.

Em casa o adolescente passa a ter explosões constantes, tende a ficar mais isolado em seu quarto. Atividades que gostava de realizar com a família começam a serem evitadas.

Outro ponto a ser observado são reclamações constantes de cansaço, dores de cabeça ou no corpo, alteração no sono e fome, perda ou ganho de peso. Podem apresentar crises de ansiedade, choro excessivo, agitação, agressividade ou apatia. Tendem a se perceberem como inúteis e culpam-se por tudo de errado que ocorre. Demonstram grande dificuldade em tomar decisões e temem a maneira como as outras pessoas os percebem.

No adolescente com depressão também é comum excesso de irritabilidade, humor deprimido e tristeza constante. Tendem a se envolver em situações perigosas ou arriscadas que antes evitavam. Podem fazer uso ou abuso de álcool e outras drogas. Alguns tendem a apresentar pensamentos suicidas que podem ser expressados da seguinte forma: “Nada está mais fazendo sentido”, “Tenho vontade de morrer”, “Não sinto mais prazer em viver”. Em casos graves alguns podem se machucar ou tentar o suicídio.

Em um momento de tantas mudanças e conflitos, como perceber que o adolescente está sinalizando que não está bem emocionalmente? Os pais devem ficar atentos se é apenas uma situação isolada ou um conjunto de comportamentos que se repetem. Além disso a duração dos comportamentos/sintomas descritos, a intensidade e o quanto as ações cotidianas estão comprometidas são pontos importantes a serem observados e que pedem uma ação imediata.

Os pais percebendo os sinais de alerta acima descritos devem tentar se aproximar do adolescente para conseguir entender o que está ocorrendo e buscar auxílio de um psicólogo. Jamais devem ignorar os sintomas, diminuir o que o adolescente sente ou repreende-los por sentirem se assim . O tratamento da depressão é realizado com psicoterapia e em alguns casos também se faz necessário tratamento psiquiátrico para o uso de medicação. Os pais não devem esperar muito tempo para procurar ajuda, pois os sintomas de depressão tendem a se agravar caso não sejam tratados.

Katia Moreschi
Por Katia Moreschi Realiza em seu consultório atendimento de crianças, adolescentes e adultos. Realização de psicodiagnóstico e orientações de pais. Também trabalha como Psicóloga em Educação Infantil.  Katia Cilene Moreschi CRP 06/58144-3. Contato pelo telefone (13) 3223-2051 e (13) 99116 4386.
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